Bahia debate mudanças climáticas

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Bahia debate mudanças climáticas

O seminário Mudanças Climáticas, Desastres relacionados à Água e Saúde, realizado em Salvador (BA), lançou o Monitor de Saúde do Semiárido

O evento, que ocorreu nos dias 19 e 20 de abril de 2018, teve na abertura a participação de um dos fundadores do Observatório Nacional de Clima e Saúde, Christovam Barcellos, vice-diretor de Pesquisa, Ensino e Desenvolvimento Tecnológico do Icict/Fiocruz. 

A relevância da iniciativa, que contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é analisada pelo pesquisador: 

"O seminário reuniu pesquisadores e profissionais de saúde que vêm trabalhando com a questão climática, os desastres e saúde. Como não existe uma só instituição que dê conta desta relação complexa entre fatores ambientais, socioeconômicos e epidemiológicos, é necessária uma concentração de esforços, de modo a integrar as informações produzidas por essas instituições, garantir o uso público de dados e a sua ampla divulgação para a sociedade."

Barcellos cita ações com esse potencial de cooperação implementadas na atualidade: "Esse conjunto de dados vêm sendo usado para criar sistemas de alerta e fomentar pesquisas que relacionam o clima, a vulnerabilidade socioambiental e os impactos sobre a saúde."

A pesquisadora Patrícia Feitosa (foto) apresentou objetivos e funções do Monitor de Saúde do Semiárido durante o evento.

Christovam Barcellos abordou o quanto esse lançamento trará benefícios para diversas camadas da sociedade: 

"Este sistema constitui uma nova área de vigilância no âmbito do Observatório de Clima e Saúde, com o objetivo de disseminar dados e permitir análises que relacionam as condições de seca e agravos à saúde relacionados à água. A última grande seca no Semiárido iniciou em 2012 e ainda persiste em algumas áreas do Nordeste, daí a importância de se lançar este sistema em Salvador neste momento. As secas podem afetar as condições de saúde de diversas maneiras, formas de exposição e danos sobre as condições econômicas e sociais das populações. Os efeitos indiretos da seca, que são mediados pelos impactos no ambiente e na economia local, causam doenças infecciosas transmitidas pela água, alimentos e vetores e doenças respiratórias relacionadas à qualidade do ar. A longo prazo, pode aumentar a incidência de doenças não transmissíveis, como a desnutrição e o estresse mental. Tudo isso pode ser agravado pela estrutura socioeconômica e política inadequada da região. As mudanças climáticas podem aumentar a gravidade e a duração das secas no Semiárido."

Barcellos explicou como a nova área poderá contribuir para gestores, pesquisadores e a sociedade civil como um todo: "O Monitor de Saúde do Semiárido tem como objetivo rastrear e exibir a magnitude e a extensão espacial da seca e seus impactos na saúde das populações do Semiárido brasileiro. O monitor permite avaliar informações sobre a seca e problemas de saúde na forma de gráficos e mapas. Usando esse sistema, o público pode pela primeira vez explorar este conjunto de dados para verificar uma determinada situação e para analisar as tendências e eventos de saúde."


Entidades organizadoras do evento

Programa Vigidesastres/Coviam/Divisa/Suvisa/Sesab;
Vigidesastres/CGVAM/DSAST/SVS/MS;
Observatório Nacional de Clima e Saúde/Icict/Fiocruz;
Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde/Fiocruz.